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Parceria entre Nasa e Brasil mapeará ecossistemas
Posted on 10/29/2011 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE
Proposta depende de aprovação da Nasa. Se passar, missão vai ajudar a prever com
mais precisão as mudanças climáticas a partir de 2016.
Cientistas brasileiros e americanos estão trabalhando para lançar um satélite
que vai enxergar a 'impressão digital' do planeta. A sonda ajudará cientistas a
prever com muito mais precisão as mudanças climáticas em
diferentes ecossistemas. A proposta, feita em conjunto pelo
Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ministério de Ciência
e Tecnologia, Agência Espacial Brasileira e pelo Jet Propulsion Laboratory
(JPL), o laboratório de propulsões da Nasa, foi anunciada durante a
Fapesp Week em Washington.
Se o projeto for aprovado,
será a primeira vez que o Brasil constrói um satélite junto com a Nasa. A
proposta foi entregue em setembro e receberá uma resposta em abril de 2012. O
satélite seria lançado em setembro de 2016 a partir de um centro de lançamento
russo ou indiano.
A missão, batizada Global Terrestrial Ecosystem
Observatory (GTEO), vai mapear em escala global, pela primeira vez, o
ecossistema terrestre com grande precisão. A sonda vai usar um instrumento
construído pelo JPL que consegue analisar o solo usando espectroscopia.
A técnica relaciona a quantidade de luz refletida por um objeto e sua
composição química. "Vamos conseguir enxergar os tipos de plantas e se existe
mais ou menos água em determinada região", disse Gilberto Câmara, diretor do
Inpe. De acordo com o diretor, a única vez em que um instrumento do tipo foi
usado aconteceu em uma missão à Lua.
Os dados vão avançar o entendimento
e previsão do ciclo de carbono e sua influência no
aquecimento do planeta e na evolução da cobertura de
vegetação na Terra. Atualmente, os satélites de monitoramento
do ambiente não conseguem enxergar pequenas alterações importantes nos
níveis de stress na vegetação durante a variação do
clima.
TAPETE VERDE
Essas variações
ajudariam a construir modelos de previsão para o meio ambiente
com muito mais precisão. "Hoje vemos apenas um tapete verde nas imagens", disse
Câmara. "O GTEO vai dizer exatamente o que está acontecendo na superfície do
planeta", acrescentou Robert Green, cientista chefe da missão, engenheiro do
JPL.
O satélite vai dar 14 voltas na Terra todos os dias a uma altitude
de 626 quilômetros. De acordo com Green, o Brasil será visitado quase todos os
dias e terá um mapa completo a cada 19 dias. Duas bases terrestres, uma na
Noruega e outra em Cuiabá, receberão as informações. "Tudo será publicado
gratuitamente na internet", de acordo com Câmara.
Câmara explicou que o
Brasil vai fornecer o corpo do satélite. "Vamos construir a caixa, o
painel solar, o computador de bordo, o sistema de
controle de energia e envio de informação de dados", disse.
Segundo Green, os EUA vão fornecer o instrumento que vai fazer a medição das
informações.
O projeto tem custo previsto de 250 milhões de dólares. O
Brasil gastaria 100 milhões no lançamento e corpo da sonda e os EUA
desembolsariam o resto com o instrumento. Na próxima quinta-feira (27), o
presidente da Nasa, Charles Bolden, visitará as instalações do Inpe para
discutir a missão com cientistas brasileiros.
