Um por todos

Posted on 9/18/2011 by UNITED PHOTO PRESS


Você já ouviu falar em crowdsourcing? E em consumo colaborativo? Se a resposta é não, atenção. Os dois conceitos podem mudar a forma como trabalhamos e consumimos.


Mais do que uma onda, o consumo colaborativo pode representar uma nova cultura e um novo modelo econômico. "Não estamos mudando apenas o que consumimos, mas sim a forma como consumimos", diz Craig Shapiro, fundador e CEO do Collaborative Fund, empresa que dá suporte financeiro e estratégico para novas ideias. Essa forma de consumo pode ser encarada como uma resposta ao modelo consumista que fez sucesso durante o século 20. Autora do livro Mesh: Porque o Futuro dos Negócios É Compartilhar, lançado no Brasil pela Alta Books, a americana Lisa Gansky acredita que estamos passando por uma grande mudança. Para ela, compartilhar permite que as pessoas tenham acesso a bens que antes não poderiam comprar. Mas o mais importante é a mudança no relacionamento. "Estamos vendo o começo de algo que é central em nosso cotidiano, que é como nos relacionamos em comunidade", afirmou Gansky á  INFO.

CARRO POR HORA
Uma das primeiras empresas a entrar nesse mundo do consumo colaborativo no Brasil foi a ZazCar. A ideia surgiu quando Felipe Barroso, um carioca que morou em Curitiba, se assustou com o trânsito caótico de São Paulo. Inconformado, começou a pensar em uma solução. A resposta veio do exterior. Em 2008, Barroso trouxe dos Estados Unidos o conceito de compartilhamento de automóveis. A ideia foi bem recebida. Hoje, a ZazCar tem 23 carros espalhados por 14 estacionamentos abertos 24 horas em São Paulo. Os usuários pagam por hora circulada.

Para sair da loja motorizado, o usuário paga 19,90 reais por 60 minutos de uso. Mas existem pacotes para quem precisa de um carro várias vezes ao mês. Se a pessoa for usá-lo quatro vezes nesse período, ela paga 6,90 reais a hora. A média das viagens é de duas a quatro horas e o serviço é mais útil para quem dirige menos de 15 mil quilômetros por ano. "Estamos dando mobilidade às pessoas", diz Barroso. "E ajudando a tirar carros das ruas."

A ideia da ZazCar e dos outros sites de consumo colaborativo tem vários pontos positivos. Ajuda a reduzir o impacto sobre os recursos naturais na fabricação de novos produtos, evita o gasto com coisas de pouco uso e facilita a prestação de serviços. Mas críticos do conceito temem que a novidade possa afetar a economia. A razão é simples. Menos compras gerariam (ou ajudariam a aprofundar) uma crise econômica. Lisa Gansky acredita que o desafio é inovar, mas com soluções rentáveis. Segundo ela, com a mudança nos hábitos de consumo, as pessoas passariam a comprar menos, sim. Por outro lado, existiria um aumento considerável no setor de serviços.

"Os comerciantes não iriam apenas vender, mas também oferecer o uso de produtos aos clientes", afirma Lisa. Um exemplo? Uma loja de roupas para crianças poderia aceitar a devolução de peças em bom estado em troca de crédito para futuras compras. Ou, então, no lugar de se hospedar num grande hotel as pessoas poderiam optar por casas de família, o que geraria renda para os locais e ajudaria o turista a conhecer melhor o lugar. "No futuro, seremos proprietários de menos coisas", afirma Lisa. "Por outro lado, teremos experiências cada vez melhores."


CRIAÇÃO COLETIVA

1 milhão de dólares é o prêmio para um dos desafios do site InnoCentive

500 mil pessoas de 190 países realizam tarefasno Mechanical Turk, da Amazon, site em que as pessoas "vendem" sua força de trabalho

499 mil reais foram obtidos com internautas, por meio do site Catarse, para financiar 65 projetos

789 serviços de crowdsourcing são usados hoje em todo o mundo