Asteroide com 2,7 quilómetros irá sobrevoar a Terra este mês

Um asteroide com 2,7 quilómetros de comprimento irá sobrevoar o planeta Terra no dia 31 de maio, anunciaram investigadores de acidentes astronómicos esta sexta-feira.

O corpo, denominado 1998 QE2, foi descoberto em agosto de 1998 por astrónomos do projeto Lincoln Near-Earth Asteroid Research (LINEAR), do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e não representa uma ameaça para o planeta.

Irá passar a uma distância de 5,8 milhões de quilómetros do planeta azul e será examinado pelo observatório Goldstone, na Califórnia, e o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico.

O nome do asteroide vem da organização Centro de Planetas Menores, em Cambridge, que o nomeia de acordo com um sistema alfanumérico que demonstra a data em que o corpo celeste foi descoberto.

A insuperável vontade de ser índio e continuar existindo

"A imagem de Raoni Txucarramãe, altivo, encarando o deputado Henrique Alves, presidente da Câmara, intimidado, eu vou guardar com orgulho por muito tempo na minha memória. Ou dos xavantes cantando e dançando numa sala do Congresso, e dos índios sentados nas cadeiras do plenário. A cena que não para de passar em flashback é dos índios entrando na 'Casa do Povo', como deve ser chamada a Câmara, e os deputados e deputadas correndo desesperados, com medo do povo que vinha ali mostrar que existe. O Dia do Índio nesse ano de 2013 marca a insuperável vontade de ser índio e continuar existindo. Tem imagens fortes, que nos fazem refletir o que está acontecendo no país, na relação entre as diversas sociedades que vivem com as sociedades indígenas."

“Nunca foi fácil ser índio no Brasil desde que esse território político passou a se chamar Brasil”
Felipe Milanez, jornalista

As cenas acima, retratadas pelo jornalista Felipe Milanez, dizem respeito à manifestação dos índios que ocorreu no dia 16 de abril, na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ação foi motivada pela discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, projeto legislativo que visa modificar a Constituição para suprimir os direitos indígenas sobre suas terras, ou seja, transferir para o Congresso a decisão final sobre a demarcação de áreas dos índios.

Em 2013, o Dia do Índio, celebrado no dia 19 de abril, deixa em evidência os desafios atuais que a comunidade indígena tem enfrentado, como as ameaças contra suas terras e cultura, o genocídio em curso e os preconceitos. "Nunca foi fácil ser índio no Brasil desde que esse território político passou a se chamar Brasil. Mas hoje é um período especialmente difícil. A sociedade brasileira de forma geral arde de preconceitos históricos, que pouco soube superar nos tantos anos de convivência", enfatiza Milanez.

Quando o assunto é a Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão que representa os povos indígenas no Brasil, a situação também não é animadora. Recentemente, a instituição foi alvo de acusações, como número insuficiente de funcionários, escassez de recursos, corrupção e cooptação de lideranças indígenas.
Atualmente, existem 2.100 funcionário da Funai espalhados pelo território nacional

Segundo a educadora Estela Parnes, funcionária da Funai há 21 anos, existem atualmente 2.100 funcionários da organização no Brasil. "Nosso quadro de pessoal está diminuindo cada vez mais e a falta de concurso público e de um plano de carreiras inviabiliza a agilidade no atendimento", argumentou ao portal UOL. 

O fotojornalista Gabriel de Angelis, que participou de um expedição no Acre em janeiro deste ano, afirmou que a Funai é "completamente inoperante" no local. "Tem um posto do órgão no meio da Mata, que está fechado há muito tempo. Os índios não têm apoio algum. Só estando lá para entender", desabafou.

Ele também contou ao EcoD que a descaracterização dos povos indígenas está em evidência. "Me assustei com o conhecimento dos índios sobre tecnologia, a utilização de telefones celulares em um local que deveria ser tão preservado. Se queremos falar de preservação indígena, de Amazônia, temos a obrigação de ir lá conhecer para entender o que é isso", observou Angelis.

O pensamento de conservação cultural desses povos também é defendido pela ambientalista e ex-ministra do Meio Ambiente, Mariana Silva, que aponta o reconhecimento da diversidade cultural como a chave para que os valores das expressões humanas não sejam perdidos ou caiam na mesmice.

"O global também pode ter o local integrado a ele. Precisamos entender essas dimensões em um processo de retroalimentação, em que o repertório de vivência do local tem também potencial para agregar ao global", opinou Marina.

Um bom exemplo da invasão territorial em favor de acordos político-econômicos é a construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, em pleno Rio Xingu, nas proximidades da cidade de Altamira, no Pará.

Entre paralisações e retomadas das obras, a comunidade indígena tem feito manifestações que estão gerando retornos temporários, como a determinação da suspensão do processo de licenciamento ambiental da usina até o julgamento do mérito da Ação Civil Pública (ação principal), sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. A decisão foi divulgada no dia 17 de abril.

Entre paralisações e retomadas das obras da Belo Monte, a comunidade indígena tem conquistado retornos temporários
Foto: Gabriel de Angelis/ United Photo Press

Salvem os índios!

Dentre as tribos indígenas que estão ameaçadas, a situação da Awá é considerada uma das mais graves. A comunidade, que já foi reduzida a aproximadamente 450 pessoas, passa por uma redução territorial acelerada devido ao desmatamento ilegal da Amazônia.

A ONG Britânica Survival International, que em 2012 lançou uma campanha para pressionar o Ministério da Justiça a tomar medidas que protejam as terras dos índios Awá, informou no dia 18 de abril que a ordem de remoção de todos os madeireiros e colonos ilegais do território dos Awá não foi cumprida e que mais de 30% de uma área da tribo já foi desmatada.

De acordo com a ONG, cerca de 50 mil cartas já foram enviadas ao Ministro da Justiça do Brasil desde que o ator Colin Firth lançou uma campanha da organização para salvar os Awá. (Saiba mais da campanha)

Jessica Sandes

Sustentabilidade é, sim, saúde


Nosso bem-estar depende do uso consciente dos recursos naturais disponíveis e da preservação do meio ambiente. Entenda por que, hoje, ser sustentável é ser saudável — e vice-versa.

Cada real gasto com saneamento básico poupa 4 reais em tratamentos médicos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse dado já mostra o enorme impacto de espaços poluídos na qualidade de vida. Por outro lado, reforça que proteger o meio ambiente e prevenir doenças em vez de remediá-las é uma tática eficaz e econômica. "Devemos nos focar na promoção de saúde, e não apenas investir na assistência dos enfermos. Essa, aliás, é uma medida sustentável", assegura Paulo Buss, diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Isso faz sentido. Primeiro porque hospitais gastam muita energia e produzem lixo à beça para cuidar dos pacientes — o ideal, então, é incentivar práticas que mantenham a população saudável, reduzindo o número de idas a esses locais. "Segundo que a maioria das atitudes recomendadas para evitar diversos males, como andar menos de carro e mais a pé ou preferir alimentos naturais a industrializados, já diminui o nível de poluentes emitidos", observa Paulo Saldiva, patologista da Universidade de São Paulo (USP). 

Confira nos infográficos indicados abaixo como ainda maltratamos a água, a terra e o ar e aprenda o que você pode fazer para preservar tanto os recursos naturais como a sua saúde.

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ÁGUA
Dizer que estamos em uma das nações com mais água disponível não muda o fato de que o futuro hídrico da humanidade poderá ser bem desagradável. Além do desperdício atual, a contaminação e a falta de saneamento são o cenário perfeito para doenças darem as caras.



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TERRA
O exagero e a falta de consciência ambiental em alguns setores da agropecuária, assim como o descarte indevido de lixo e o desperdício de alimentos e bens materiais, danifica o solo, elevando drasticamente a lista dos prejuízos à saúde. Ainda bem que dá para reverter o quadro.



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AR
A fumaça de automóveis, indústrias, queimadas, da agropecuária e até da lenha e do cigarro polui a atmosfera e contribui para o aquecimento global. Isso tudo, junto, acarreta problemas que ameaçam cada um de nós. Mas calma: é possível melhorar esse panorama






André Biernath e Theo Ruprecht

Carvão, um perigo crescente


Usinas que usam o recurso aumentam em número em todo o mundo

Usinas de energia movidas a carvão são uma fonte importante de emissões de gases estufa, e elas podem estar aumentando significativamente no planeta, de acordo com uma nova análise do World Resources Institute (WRI).

Há meses, o WRI começou a compilar e analisar informações sobre propostas de novas usinas a carvão para poder avaliar riscos futuros ao clima global. O trabalho resultante foi publicado ontem. A pesquisa mostra que 1.199 novas usinas a carvão, com uma capacidade total instalada de 1.4 milhão de MW, foram propostas mundialmente. Se todos os projetos forem construídos, isto irá acrescentar uma capacidade de geração de eletricidade a carvão quatro vezes maior que todas as usinas hoje existentes nos Estados Unidos.

Atualmente, a economia global consome pelo menos 80 vezes mais carvão do que era queimado em 1850, no auge da Revolução Industrial. A Agência Internacional de Energia diz que o uso global do recurso – agora perto de 8 bilhões de toneladas por ano – pode aumentar em até 65% até 2035, caso prossigam as tendências energéticas correntes.

A análise descobriu que 483 empresas de energia propuseram novas usinas a carvão em 59 países. A maioria delas está em nações em desenvolvimento, principalmente China e Índia. Estes dois países respondem por 76% da nova capacidade proposta. Mas há também projetos onde a produção de carvão é limitada ou inexistente, como no Camboja e Senegal.

A energia é uma necessidade universal, e seu desenvolvimento é crucial para que o mundo em desenvolvimento tire pessoas da pobreza e as empoderem para que desfrutem uma qualidade de vida melhor. No entanto, a escolha da fonte de energia é complicada, uma vez que países pobres têm de levar em consideração soluções de baixo custo. As usinas a carvão são frequentemente consideradas uma opção, mesmo existindo provas do que o recurso causa para o clima, o ambiente e a saúde humana.

Queimar mesmo um terço ou a metade das reservas provadas de carvão no mundo elevaria a temperatura do planeta muito acima dos 2Cº considerados pelos cientistas como patamar minimamente seguro até o final do século.

“Não há meios de permitirmos a construção de toda a infraestrutura de carvão sendo proposta e acharmos que vamos ter um planeta onde viver,” afirma Justin Guay, do Programa Internacional do Clima do Sierra Club. “São coisas incompatíveis. Eu diria que a maioria das usinas propostas não será construída.”

Difícil saber se estes sentimentos são meros desejos ou resistirão à demanda de um mundo faminto por energia, diz o e360, da Universidade Yale.

José Eduardo Mendonça

Foto: Mark Vegas/Creative Commons

Britânicos criam papamóvel movido a pedaladas

Após o Papa Francisco ficar conhecido por andar de ônibus, ele poderá conseguir a reputação de ser o papa sustentável. A ETA - Associação Ambiental de Transportes Britânica vai criar um papamóvel movido a pedaladas.

O transporte neutro em emissões de carbono foi encomendado pela ETA após o pontífice anterior, o Papa Bento XVI, expressar seu desejo de ter um veículo verde. A ideia é transportar o Papa Francisco em um veículo totalmente limpo, abastecido pelas pedaladas de uma bicicleta.

O papamóvel ecológico foi projetado pelo designer Yannick Read. O veículo será um papamóvel com um formato tradicional, mas com a adição de uma ou mais bicicletas na frente.

Read afirma que apenas uma pessoa já será suficiente para carregar o Papa. Mas é possível criar modelos com até quatro bicicletas. Há também a possibilidade de acoplar um motor elétrico. Isso elevaria a velocidade média de 9,6 km/h para até 64 km/h.

A cabine do Papa será blindada e com placas fotovoltaicas na cobertura. Assim, será possível ligar o aparelho de ar condicionado apenas com energia solar. Entre as especificações também estão holofotes interiores de baixa tensão para manter a cabine iluminada.

A estimativa é que o primeiro modelo esteja pronto e possa ser apresentado no meio do ano. O veículo custará aproximadamente 200 mil euros.

Gorila fica famoso por pintar 'escultura de um gorila'

N'Dowe, um gorila de 9 anos, ficou famoso depois de pintar uma escultura, em forma de gorila, no Paignton Zoo, um jardim zoológico situado no condado de Devon, na Inglaterra.

Segundo a BBC, o Paignton Zoo decidiu organizar um projeto de arte para comemorar o seu 90 º aniversáriodo, aproveitando para chamar a atenção acerca dos gorilas.

A escultura pintada pelo gorila N'Dowe será usada para fins educativos antes de ser leiloada pelo jardim zoológico de Devon. O Paignton Zoo relatou ainda que o gorila optou por usar os lábios e os dedos para pintar a escultura, em vez dos pincéis para crianças que tinha ao seu alcance: "É possível que esta seja a primeira escultura a ser pintada por um gorila de verdade", declarou à BBC o tratador dos mamíferos do Paignton Zoo.

Artistas (humanos) selecionados para o projeto irão produzir esculturas em tamanho real que serão exibidas durante todo o verão. Uma vez concluído o projeto, espera-se que haja no mínimo 30 estátuas em forma de gorila, em tamanho real, que serão dispostas ao ar livre. Algumas estátuas mais pequenas, como a que foi pintada pelo gorila N'Dowe, também serão expostas, mas desta vez no interior do jardim zoológico.

O dinheiro conseguido pelas estátuas em tamanho real será doado pelo Paignton Zoo ao projeto 'Cross River Gorilla' e a um outro projeto da comunidade local.

GRANDE REPORTAGEM: Falta d'água dobra risco de guerra civil, diz estudo

Milícia em Cartum, capital do Sudão: pesquisa relaciona eclosão e recrudescimento da guerra civil à escassez de água causada pelo El Niño
Explosão demográfica, urbanização desordenada e mau gerenciamento fazem da competição pela água o estopim de centenas de conflitos.

Uma das primeiras guerras da história foi travada por causa de água, há 4.500 anos, entre duas cidades-estado à margem do rio Eufrates, região onde fica o atual Iraque. De lá para cá, a quantidade de água potável disponível no planeta não mudou, mas a explosão demográfica, a urbanização desordenada e o mau gerenciamento de um recurso insubstituível fizeram do acesso à água uma competição cada vez mais agressiva - e o estopim de centenas de conflitos.

Um estudo publicado na revista Nature pelo Instituto da Terra da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, mostra a relação entre a escassez de água e guerra. Analisando o fenômeno El Niño, que em ciclos de três a sete anos provoca aumento na temperatura e diminuição no volume de chuvas, os pesquisadores descobriram que, nos 90 países tropicais afetados pelo fenômeno climático entre 1950 e 2004, o risco de uma guerra civil dobrou, passando de 3% para 6%. "Claro que, sozinha, a falta de água não causa as guerras. Há fatores sociais, políticos e econômicos que devem ser levados em conta", diz Mark Cane, cientista especializado em clima da Columbia. "Mas onde há tensões latentes, o clima pode ser a fagulha que faltava."

Os países pobres são os mais atingidos. A rica Austrália sofre com o El Niño, mas a chance de haver uma guerra civil é nula. Em compensação, a guerra civil que matou mais de duas milhões de pessoas no Sudão floresceu em 1963, ano que o El Niño provocou severas secas, e recrudesceu em 1976, 1983 e novamente este ano, períodos em que o país, agora dividido entre Norte e Sul, foi de novo afetado pelo fenômeno.

“As guerras do século 21 serão travadas por causa da água”, disse Ismail Serageldin, do Banco Mundial, em depoimento ao escritor Alex Prud'homme, autor do livro The Ripple Effect, um alentado estudo sobre os desafios relacionados à água, do esgotamento de aquíferos à contaminação da água tratada nas grandes cidades. As chances de Seralgedin estar certo são grandes. Em 2000, 1,2 bilhão de pessoas não tinham água tratada para beber. Até 2025, serão 3,4 bilhões. Segundo relatório da ONU apresentado em Estocolmo, na Suécia, durante a Semana Mundial da Água, bastaria 0,16% do PIB mundial - o equivalente a 198 bilhões de dólares por ano - para o abastecimento regular de meio bilhão de pessoas, contingente hoje vulnerável a doenças e mesmo à morte por falta de água potável. Caso a questão continue ignorada, até 2030 a demanda de água superará a oferta em 40%.

"Guerras do século 21 serão travadas por causa de água."
Ismail Serageldin, Banco Mundial

O novo petróleo - Foi de olho na crescente competição pela água que o empresário T. Boone Pickens, dono de uma imensa quantidade de terra situada sobre o maior aquífero da América do Norte, no Texas, resolveu abastecer Dallas e sua região metropolitana com a água de sua fazenda (no Texas, a lei que gere os recursos hídricos determina que somente a água localizada na superfície é propriedade do estado; o que está abaixo pertence ao dono do terreno).

O projeto previa um investimento de 1,5 bilhão de dólares para a construção de uma tubulação que levasse a água até Dallas. Entusiasmado com o projeto, o bilionário T. Boone afirmou que a era do hidrocarboneto havia passado. "A água é o novo petróleo", exclamou. Em 2008, o projeto foi suspenso pelo alto custo da tubulação, mas este ano Pickens fechou um acordo vendendo o direito sobre as águas por 103 milhões de dólares.

"A água é o novo petróleo."
T. Boone Pickens, empresário texano

Distante e cara - “A água vai ficar cada vez mais cara”, diz João Lotufo, diretor da Agência Nacional de Águas. “A tendência é buscar água cada vez mais longe, o que vai demandar mais recursos para atender uma população crescente.”

Assim como Dallas, São Paulo 'importa' mais da metade da água que consome de outras cidades e até mesmo de outros estados. A cidade consome a água de 17 mananciais diferentes e vai precisar de outro até 2015 para garantir o abastecimendo da população. “Em maior ou menor grau, isso vai acontecer com todas as regiões metropolitanas do país”, prevê Lotufo.

Dos 5.565 municípios brasileiros, 55% precisam de investimentos para aumentar a oferta de água. Em investimentos, isso significa que são necessários 22 bilhões de reais até 2015. Mesmo assim, Lotufo considera impossível faltar água para o abastecimento humano. “O que há é uma competição de usos – industrial, agrícola, doméstico – que desequilibre a oferta. Mas isso só vai acontecer se não houver gestão.”

Guerras da água
Os conflitos que tiveram início por causa da água.

A primeira guerra
Lagash vs Umma, Suméria, 2.500 a.C.

A primeira guerra causada pela disputa por água aconteceu às margens do Rio Eufrates, região onde fica o Iraque. Urlama, rei da cidade-estado de Lagash, desvia o curso do rio e deixa outra cidade-estado, Umma, sem água.

Água gelada
China vs Tibet, 1950

Em 1950, a China invadiu o Tibet, em parte para garantir o controle das águas armazenadas nas geleiras do Himalaia. Atualmente, pretende canalizar a água até o Rio Amarelo. O projeto pode alterar o fluxo de água nos rios de vários países e aumentar a tensão na região, já bastante instável politicamente.

Guerra civil
Sudão, 1963 até os dias de hoje

A falta de água foi um dos fatores que impulsionaram o conflito que matou mais de duas milhões de pessoas. A guerra civil no país, agora separado entre Sudão e Sudão do Sul, foi provocada por vários elementos, políticos, sociais e econômicos, mas pesquisadores da Universidade de Columbia apontam a água como um dos principais motivos.

Quase guerra
Turquia, 1998

Em 1998, Síria e Turquia quase entraram em guerra por causa da água. Em 2003, as tensões voltaram a surgir quando os Estados Unidos invadiram o Iraque. Nos bastidores, houve uma dura disputa entre turcos, curdos e as forças americanas sobre como seria feita a coleta e distribuição da água dos rios Tigres e Eufrates.

Estudo revela diminuição da água nos rios Tigre e Eufrates


Os leitos desses rios, cujas águas irrigam parte do Iraque, Irã, Turquia e Síria, perderam o equivalente a um Mar Morto em sete anos de observação via satélite.

Satélites americanos detectaram uma grande diminuição das reservas de água nos rios Tigre e Eufrates em um período de sete anos, a partir de 2003, segundo um novo estudo que deve ser publicado nesta sexta-feira na revistaWater Resources Research, periódico da União Geofísica Americana. O estudo foi realizado por cientistas da Universidade da Califórnia, do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, e do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas.

Os leitos desses rios, cujas águas irrigam parte do Iraque, Irã, Turquia e Síria, perderam o equivalente a um Mar Morto, determinou o estudo. "É uma quantidade de água suficiente para satisfazer as necessidades de milhares de pessoas na região a cada ano, dependendo das regras de uso regional e a disponibilidade", afirmou Jay Famiglietti, coordenador da pesquisa.

O estudo baseia-se nos dados recolhidos durante um período de sete anos pelos satélites GRACE, da NASA, que vigiam as mudanças globais nas reservas de água. De acordo com as variações nas reservas de água em uma determinada região, os satélites medem a gravidade das transformações e seus impactos.

"Os dados dos GRACE mostram um índice alarmante de queda no armazenamento total de água no Tigre e Eufrates, que atualmente possuem a segunda taxa de perda mais rápida de águas subterrâneas da Terra, depois da Índia", indicou Famiglietti.

Parte desta diminuição foi atribuída à seca de 2007 — 60% da diminuição da água foi resultado do bombeamento de água subterrânea. Neste sentido, Famiglietti destacou o Iraque, que perfurou 1.000 novos poços em resposta à seca de 2007.

A Turquia é quem manda nas nascentes dos rios Tigre e Eufrates e possui um projeto de infraestrutura e de reservatórios que controla quanta água é liberada para a Síria, Irã e Iraque. Como a bacia não é coordenada em conjunto por esses países, o controle turco e a distribuição para os outros países é motivo de rivalidade na região, como aconteceu durante a seca de 2007, quando a Turquia desviou água para a agricultura local.

"A diminuição no fluxo de água põe muita pressão sobre os vizinhos. As Nações Unidas relataram que residentes do Norte do Iraque tiveram que cavar poços assim que notaram o declínio na quantidade de água. Isso é um problema em um ambiente social, político e economicamente frágil", disse Katalyn Voss, principal autora da pesquisa.

CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Groundwater depletion in the middle east from GRACE with implications for transboundary water management in the tigris-euphrates-western iran region
Onde foi divulgada: periódico Water Resources Research
Quem fez: Katalyn A. Voss, James S. Famiglietti, MinHui Lo, Caroline de Linage, Matthew Rodell, Sean C. Swenson
Instituição: Universidade da Califórnia, Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, e Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas
Dados de amostragem: dados recolhidos durante um período de sete anos pelos satélites GRACE da NASA
Resultado: Os leitos dos rios Tigre e Eufrates, cujas águas irrigam parte do Iraque, Irã, Turquia e Síria, perderam o equivalente a um Mar Morto

Um psiquiatra entre os chimpanzés


Novo tratamento desenvolvido pelo psicoterapeuta Martin Brüne, que inclui a prescrição de antidepressivos, mostra resultado promissores na reabilitação de macacos traumatizados pela vida em laboratórios.

O alemão Martin Brüne passou boa parte de sua vida estudando a mente humana. Professor de psiquiatria daUniversidade Ruhr de Bocum, na Alemanha, ele pesquisa como as desordens psiquiátricas, como esquizofrenia e depressão, afetam o comportamento e a interação social. Nos últimos três anos, no entanto, ele ganhou novos pacientes: cinco chimpanzés, traumatizados após servirem durante anos como cobaias em pesquisas biomédicas. O psiquiatra receitou um tratamento inédito para os animais, que inclui o uso de medicamentos antidepressivos. 

No último dia 15, Martin Brüne participou do Encontro Anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, no qual apresentou uma palestra sobre a presença de distúrbios psiquiátricos em grandes primatas e relatou como eles reagiram à nova terapia. "O tratamento foi um sucesso e ajudou a entender como essas disfunções podem surgir no cérebro dos humanos e de seus parentes evolutivos mais próximos", disse Brüne, em entrevista ao site de VEJA*.

Até começar a trabalhar com os macacos, o psiquiatra só havia lidado com pacientes humanos. Isso não impediu que, em abril de 2010, ele fosse convidado para ajudar aAAP, uma fundação holandesa que cuida de primatas e pequenos mamíferos abandonados por laboratórios científicos, circos e zoológicos mambembes de toda a Europa. Na cidade de Almere, na Holanda, eles mantêm um santuário destinado a manter e recuperar cerca de 300 animais. De todos aqueles que chegam ao local, os que mais chamam a atenção dos tratadores são os chimpanzés abandonados por laboratórios farmacêuticos, após serem aposentados de suas funções como cobaias.

Separados muito cedo da mãe, infectados com doenças, isolados de qualquer contato com outros animais, eles parecem incapazes de levar uma vida normal quando chegam ao santuário. Frente a qualquer tentativa de interação social, eles se mostram extremamente agressivos ou arredios. Muitos demonstram comportamentos anormais, como automutilação, movimentos repetitivos e regurgitação. Sintomas que, segundo os pesquisadores, podem ser comparados aos vistos entre humanos que sofrem dedepressão, ansiedade e síndrome do stress pós-traumático.

Os tratamentos aplicados pelos veterinários, que incluíam mudanças no ambiente e na alimentação dos animais, não surtiam nenhum efeito. Foi aí que, numa tentativa desesperada de reabilitar os macacos, Martin Brüne foi chamado e colocado, pela primeira vez, frente a frente com os animais. Após estudar seu comportamento, ele receitou um tratamento experimental para cinco chimpanzés, que indicava a administração do antidepressivo Sertralina, vendido comercialmente com o nome Zoloft e usado em pacientes — humanos — com depressão e ansiedade. "Basicamente, esse é o meu papel no tratamento: sou eu que prescrevo as drogas", diz Brüne.

Depois de algumas semanas sob efeito do medicamento, os animais começaram a mostrar mudanças em seu comportamento, aumentando sua interação com o ambiente e até brincando uns com os outros.

Água poluída mata mais que violência


A afirmação é do Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que lançou no Dia Mundial da Água um relatório, chamado “Sick Water” (ou Água Doente, em português), que analisa a qualidade do recurso líquido no planeta.

Segundo o documento, por ano, mais pessoas morrem por culpa da água poluída e contaminada dos rios e oceanos do que por todas as formas de violência juntas, incluindo as guerras. Só entre as crianças com menos de cinco anos de idade, o índice de mortes mundiais por doenças causadas pela má qualidade da água é de 17%. Além disso, o relatório aponta que, atualmente, mais da metade dos leitos hospitalares no mundo são ocupados por pessoas com doenças ligadas à água contaminada.

Tudo isso, de acordo com a ONU, é culpa da própria população, que despeja nos mares e oceanos, diariamente, cerca de dois milhões de toneladas de resíduos sólidos – que vêm, principalmente, do esgoto, das indústrias e do setor agrícola e contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água, todos os dias. E mais: segundo o relatório, os principais culpados por essa contaminação são os países em desenvolvimento.

De acordo com o Pnuma, reverter completamente a situação já é impossível, mas algumas medidas podem amenizar o quadro. Entre elas:
  • – proteger as áreas de terra úmida, que agem como filtros naturais do esgoto;
  • usar os dejetos dos animais como fertilizante, ao invés de despejá-los na água;
  • adotar sistemas de reciclagem de água 
  • investir em projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.

Florestas tropicais são capazes de resistir ao aquecimento global


Estudo mostra que florestas da América, Ásia e África podem sobreviver às mudanças climáticas do século 21.

Uma nova pesquisa publicada neste domingo mostra que as florestas tropicais correm menos risco de perder sua cobertura vegetal como consequência do aquecimento global do que as previsões mais alarmistas mostravam. Na análise mais completa já feita sobre o perigo de as florestas tropicais entrarem em colapso por causa das emissões de gases do efeito estufas ao longo do século 21, os pesquisadores mostraram que elas serão capazes de suportar a maior parte dos danos trazidos pelo aumento de temperatura. O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.

Como as florestas são capazes de armazenar uma grande quantidade de carbono, sua capacidade de resistir aos efeitos do aquecimento global é importante para o planejamento de novos programas de redução de emissão de gases do efeito estufa e de combate ao aquecimento do planeta. No entanto, essa capacidade era, até agora, incerta. "Desde os anos 2000 que se discute sobre a capacidade de a Amazônia resistir às mudanças climáticas. Algumas previsões eram muito catastróficas, mas a incerteza dos modelos usados na época ainda era muito grande", disse José Marengo, pesquisador do INPE* - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - e um dos autores da pesquisa.

Para realizar esse tipo de medição, os pesquisadores têm de lidar com dois tipos de incerteza. Uma delas leva em conta os diferentes aumentos de temperaturaprojetados para o século 21, e a outra é referente aos processos fisiológicos das plantas, que ainda não estão completamente desvendados. Por causa disso, os pesquisadores usaram simulações de computador para calcular a resiliência das florestas em 22 modelos diferentes, com aumentos de temperatura que iam até quatro graus Celsius. Os cálculos levaram em conta as florestas tropicais da América, Ásia e África.

Como resultado, descobriram que em 21 dos 22 modelos as florestas seriam capazes manter sua cobertura vegetal — ou recuperá-la— após o aumento de temperatura. Em apenas um caso houve uma diminuição nas florestas, e apenas na América. "A pesquisa mostra que não chegaremos ao extremo de as florestas desaparecerem. Na maior parte dos casos, elas podem até perder uma pequena parte de seu estoque de carbono, mas não chegarão a perder tanta massa a ponto de entrar em colapso", disse Marengo.

INCERTEZAS 
Ao comparar os diferentes modelos, os pesquisadores descobriram que a maior parte das incertezas nessa medição vem dos processos fisiológicos das plantas, e não das diferentes projeções de aquecimento global. "A grande surpresa em nossa análise é que a incerteza nos modelos ecológicos das florestas tropicais é significantemente maior do que a incerteza vinda das diferenças nas projeções do clima", diz David Galbraith, pesquisador da Universidade de Leeds, na Inglaterra, que participou da pesquisa.

Apesar de o estudo sugerir que o risco de as florestas sofrerem danos por causa do aquecimento global são pequenos, os pesquisadores deixam claro que não se trata de um sinal verde para a emissão de gases do efeito estufa. Eles lembram, por exemplo, que seus modelos não levaram em conta as queimadas e a derrubada intencional das florestas, que também podem afetar a quantidade de carbono armazenado. "A pesquisa não pode ser interpretada como um sinal para continuar desmatando e liberando gás carbônico na atmosfera. Ela apenas mostra que o cenário não é catastrófico: as florestas perderão robustez, mas continuarão sendo florestas", afirmou José Marengo. "Descobrimos que a floresta é razoavelmente resistente às mudanças climáticas. Não podemos continuar puxando essa resistência em direção ao colapso".

CONHEÇA A PESQUISA
TÍTULO ORIGINAL: Simulated resilience of tropical rainforests to CO2-induced climate change
ONDE FOI DIVULGADA: periódico Nature Geoscience
QUEM FEZ: Chris Huntingford, David Galbraith, Lina M. Mercado, Oliver L. Phillips, Owen K. Atkin, Carlos Nobre, Jose Marengo
INSTITUIÇÃO: Centro de Ecologia e Hidrologia, na Inglaterra
DADOS DE AMOSTRAGEM: 22 modelos climáticos que analisaram como as florestas tropicais da América, Ásia e África responderão ao aumento de emissão de gases de efeito estufa durante o século 21
RESULTADO: Os pesquisadores descobriram em 21 dos 22 modelos as florestas não sofreram grande perca de massa vegetal. Em apenas um caso, as florestas sofreram dano, mas somente na América.

Fome por carvão custa caro à Índia



A segunda nação do mundo mais dependente de carvão para geração de energia elétrica vive crise socioambiental alarmante. São mais de 100 mil mortes por ano, revela estudo.

O apetite insaciável da Índia por carvão tem um preço alto: pelo menos 115 mil mortes por ano, segundo um estudo pioneiro que investigou os efeitos nocivos da poluiçãopela queima de carvão na saúde da população. A nação é segunda mais dependente dessa fonte para geração deenergia elétrica, atrás apenas da China.

Quase 70% da matriz energética indiana é dominada pelo carvão, que libera substâncias e compostos extremamentepoluentes no ar. O estudo, levado a cabo pela entidadeUrbans Emissions, com apoio do Conservation Action Trust e do Greenpeace Índia, relacionou as emissões das partículas finas de poluição geradas pelas usinas a carvão e os problemas de saúde no país.

Anualmente, a dependência dessa fonte é responsável por 20 milhões de novos casos de asma e problemas cardíacos, além de mais de 100 mil mortes prematuras (10 mil só de crianças com menos de 5 anos de idade). Trata-se de uma crise socioambiental que custa cerca de 4,6 bilhões de dólares para o sistema de saúde indiano, destaca a pesquisa.

Talvez o fato mais preocupante trazido à luz pelo estudo é o que mostra como a Índia fica muito, muito atrás de economias maiores quando se trata de regular poluentes de usinas de carvão.

Segundo a pesquisa, os padrões indianos para material particulado no ar (150-350 mg/m3) são muito mais permissivos do que até mesmo os da China (20-50 mg/m3). Para nitrogênio, enxofre, dióxidos e mercúrio, a Índia não possui nem mesmo normas em vigor.

Confira abaixo os números chocantes da poluição por carvão na Índia: